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A Justiça Federal realizou, segunda-feira (2/12), uma inspeção judicial na Floresta Nacional (Flona) de Três Barras, que foi ocupada em maio deste ano por famílias Xokleng e Kaingang oriundas da Terra Indígena Ibirama La Klaño, na região de José Boiteux. 

A inspeção foi promovida no âmbito da uma ação de reintegração de posse ajuizada pelo ICMBio contra os indígenas, em trâmite na 1ª Vara Federal de Jaraguá do Sul.

O ato foi coordenado pelo juiz Joseano Maciel Cordeiro que durante a inspeção reuniu-se com os indígenas, reprentantes do ICMBio, da Funai, do Serviço Florestal brasileiro, da Advocacia Geral da União e do Ministério Público Federal para a busca de uma solução consensual para o conflito. Diante do pedido dos Caciques da comunidade Xokleng de tempo para avaliar as alternativas propostas, uma outra audiência virtual de conciliação foi designada para 19/12, em decisão assinada hoje (6/12) pelo juiz.

O caso envolve um contrato de concessão florestal que está em vias de ser assinado e que prevê a extração da madeira reflorestada, com a concomitante recomposição da mata nativa na Flona. A proposta de acordo em discussão prevê a saída dos indígenas da Flona para ocuparem uma área reservada pelo governo federal em Porto União.

Segundo a Funai, entre 20 e 27 famílias estariam vivendo no local. 

O ICMBio e o Serviço Florestal Brasileiro (SFP) alegam que a permanência dos indígenas na Flona durante os anos iniciais da concessão não é possível, pois a exploração florestal em larga escala, com tráfego constante de caminhões e outras máquinas pesadas, traria riscos para os indígenas. Além disso, a concessão prevê a reforma da infraestrutura administrativa da Flona, com a retirada das casas atualmente ocupadas pelas famílias. 

Os líderes Xokleng, por sua vez, defendem a possibilidade da permanência de sua comunidade no local durante o andamento da concessão e requerem a Funai o prosseguimento do processo de reconhecimento da área como território indígena. O Cacique da comunidade Kaingang informou na reunião que seus liderados estariam dispostos a irem para a área oferecida em Porto União.


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Na manhã de hoje (6/12), o presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargador federal Fernando Quadros da Silva, foi homenageado com o Colar do Mérito Judiciário, entregue pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ). A cerimônia aconteceu no Plenário Ministro Waldemar Zveiter, na sede do TJRJ. O desembargador Quadros da Silva recebeu a homenagem em razão de sua atuação destacada na Justiça e dos relevantes serviços prestados à cultura jurídica e ao Judiciário do Rio de Janeiro.

“Divido a homenagem com magistrados e servidores do TRF4 que se dedicam incessantemente a prestar excelente serviço à justiça brasileira”, ressaltou o desembargador Quadros da Silva ao falar sobre a importância do reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Justiça Federal da 4ª Região.

Além do presidente do TRF4, também foram homenageadas outras 44 personalidades no evento, como magistrados, autoridades públicas e profissionais do Direito que se destacaram em suas áreas de atuação. A solenidade marcou as comemorações pelo Dia da Justiça, que é celebrado anualmente em 8 de dezembro.

Instituído em 1974, o Colar do Mérito Judiciário é a mais alta honraria concedida pelo TJRJ. O Colar do Mérito foi entregue aos homenageados do evento pelo presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo.

ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)

O presidente do TRF4, desembargador Fernando Quadros da Silva (esq.), junto do presidente do Tribunal de Justiça do RS, desembargador Alberto Delgado Neto; ambos magistrados foram homenageados na cerimônia
O presidente do TRF4, desembargador Fernando Quadros da Silva (esq.), junto do presidente do Tribunal de Justiça do RS, desembargador Alberto Delgado Neto; ambos magistrados foram homenageados na cerimônia ()

A Justiça Federal do Paraná (JFPR) realizou mais uma audiência pública sobre os Projetos de Reparação de Danos Ambientais, do Caso Petrobras, em continuidade às tratativas relacionadas à destinação de valores de indenização em razão do vazamento de petróleo da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), em julho de 2000. 

Em 2021, a Petrobras celebrou um acordo para pagar indenização, visando a recuperação das áreas atingidas pelos quatro milhões de litros de petróleo que se espalharam pelo Rio Iguaçu. Foram 452 projetos apresentados e que são avaliados para definir se serão ou não colocados em prática, utilizando-se de mais de R$ 1,2 bilhões, que já foram depositados pela Petrobras ao Fundo Estadual do Meio Ambiente (FEMA) ligado ao governo paranaense. 

A sessão foi conduzida virtualmente pelos juízes federais Antônio César Bochenek e Friedmann Wendpap, do Sistema de Conciliação da 4ª Região (Sistcon), no último dia 29 de novembro. Participaram representantes do Ministério Público do Paraná (MPPR), do Ministério Público Federal (MPF), do Instituto Água e Terra (IAT), da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) e do Conselho de Recuperação dos Bens Ambientais Lesados (CRBAL). 

Projetos terão execução imediata

Na reunião, foram homologados os projetos aprovados em reunião técnica no dia 25 de novembro, para execução imediata. Entre eles, a aquisição estratégica de materiais e equipamentos para fiscalização ambiental; a inovação e a modernização da gestão ambiental no Paraná – i9 Ambiental; o Projeto Rio Vivo, de controle de erosões e cheias para o município de Cianorte; aquisição de veículos, embarcações e drones para a fiscalização ambiental, bem como mais de R$ 100 milhões para o ICMBIO aplicar em projetos aprovados para as Unidades de Conservação Federal localizadas no Estado do Paraná.

Os projetos seguem para o FEMA, para a liberação dos recursos para aplicação e implementação imediata. “Após o recebimento do processo na Comissão de Demandas Estruturais do TRF da 4ª Região, no mês de abril, foram realizadas várias audiências públicas, reuniões técnicas e negociações estratégicas assistidas, com a ampla participação de todos os interessados, com o objetivo de repassar os valores da indenização para os melhores projetos e que cumpram a finalidade reparatória do meio ambiente”,explica Bochenek. 

Neste momento, conforme o magistrado, houve a primeira homologação de projetos e outros estão em fase de adequações das condicionantes impostas pelo MP e órgãos ambientais. 

Termo de Referência

Bochenek também destacou a elaboração por parte dos interessados do Termo de Referência, para que os projetos apresentados pelas instituições de ensino e entidades da sociedade civil organizada sejam padronizados e adequados às normativas do Estado do Paraná e às leis ambientais. “Este material é um relevante produto construído com a cooperação de todos os atores do processo estrutural, que poderá servir de base para tantas outras destinações”.

Todos os projetos aprovados na audiência realizada pela JFPR serão encaminhados para a Comissão de Demandas Estruturais do Sistcon, para publicação no portal do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região, para fins de transparência das informações do caso.

 

Comunicação Social da Seção Judiciária do Paraná

COMSOC/JFPR (imprensa@jfpr.jus.br)

Os projetos foram homologados no dia 29 de novembro e deverão ter execução imediata. (Foto: Freepik)
Os projetos foram homologados no dia 29 de novembro e deverão ter execução imediata. (Foto: Freepik) ()

A Turma Regional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais da 4ª Região (TRU4) realizou ontem (5/12), em Florianópolis, sessão de julgamento, com 129 processos em pauta. A reunião foi presidida pela desembargadora federal Taís Schilling Ferraz e teve a participação de doze juízas e juízes federais integrantes da composição plenária do colegiado.

Da pauta, 42 processos tratavam de matéria cível, 53 de matéria previdenciária e outros 34 eram de competência do pleno. Os recursos previdenciários tiveram três sustentações orais.

Participaram da sessão de ontem, referidos por antiguidade, as juízas e juízes Julio Guilherme Berezoski Schattschneider (SC), José Francisco Andreotti Spizzirri (RS), Oscar Alberto Mezzaroba Tomazoni (SC), Gerson Luiz Rocha (PR), Flávia da Silva Xavier (PR), Erika Giovanini Reupke (SC), Fernando Zandoná (RS), Joane Unfer Calderaro (RS – por videoconferência), Ana Cristina Monteiro de Andrade Silva (RS), Narendra Borges Morales (RS), Pepita Durski Tramontini (PR) e Alexandre Moreira Gauté (PR).

O Ministério Público Federal (MPF) foi representado pelo procurador regional da República Maurício Gotardo Gerum. A sessão teve o servidor Eduardo Júlio Eidelvein como secretário.


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A Justiça Federal do Paraná (JFPR), por determinação da 5ª Vara Federal de Londrina, no norte do Paraná, lançará nos primeiros dias de 2025 o edital de abertura de prazo para a apresentação de projetos por entidades públicas e privadas com finalidade social. O objetivo é selecionar projetos para a destinação de recursos provenientes de penalidades de prestação pecuniária fixadas como condição de suspensão condicional do processo, transação penal, acordo de não persecução penal, bem como da pena restritiva de direitos de prestação pecuniária.

As inscrições poderão ser realizadas no período de 7 a 31 de janeiro de 2025, preferencialmente por entidades que acolheram, nos anos de 2023 e 2024, indiciados ou apenados para o cumprimento de prestação de serviços à comunidade, para recebimento de recursos provenientes de prestação pecuniária fixada como condição de suspensão condicional do processo ou transação penal, prestação pecuniária proveniente de acordo de não persecução penal e de aplicação de pena restritiva de direitos de prestação pecuniária, esta última na forma fixada nas sentenças transitadas em julgado nas respectivas ações penais. 

As entidades interessadas devem atuar em municípios de abrangência das Subseções Judiciárias Federais de Londrina, Apucarana e Jacarezinho. Cada entidade terá direito a apresentar um projeto, cujo valor máximo não poderá ultrapassar R$ 25 mil. Excepcionalmente, serão admitidos projetos vinculados à segurança pública e ao sistema de execução penal, apresentados por entidade pública, acima deste valor, desde que demonstrado o relevante interesse público.

Prédio-Sede da Subseção Judiciária de Londrina (Foto: Arquivo JFPR)
Prédio-Sede da Subseção Judiciária de Londrina (Foto: Arquivo JFPR) ()

A juíza federal substituta Cristina de Albuquerque Vieira, coordenadora do Núcleo de Justiça Restaurativa da 4ª Região (NUJURE), marcou presença no evento “Por Elas”, promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM), na última terça-feira (3/12). Na ocasião, a magistrada lançou sua mais recente obra: “Justiça Restaurativa Aplicada à Criminalidade Federal”, fruto de sua tese de mestrado.

O evento, realizado no saguão do Conselho da Justiça federal (CJF), em Brasília, foi marcado por um lançamento coletivo de livros de ex-alunos do curso de mestrado da ENFAM e reuniu professores, alunos formandos da terceira turma do mestrado e o atual diretor-geral da escola, o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Benedito Gonçalves.

A obra da juíza Vieira, que também é coordenadora do Centro de Justiça Restaurativa da Justiça Federal do Rio Grande do Sul (JFRS), aprofunda a discussão sobre a aplicação da justiça restaurativa em casos criminais de natureza federal, trazendo importantes contribuições para o campo jurídico e para o fortalecimento da política de Justiça Restaurativa no país.

ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)

A juíza Cristina de Albuquerque Vieira lançou livro que aborda a aplicação da justiça restaurativa em casos criminais de natureza federal
A juíza Cristina de Albuquerque Vieira lançou livro que aborda a aplicação da justiça restaurativa em casos criminais de natureza federal ()

O Centro Especializado de Atenção às Vítimas (Ceavi) da Justiça Federal do RS (JFRS) realizou visita técnica, na terça-feira (3/12), na aldeia indígena Nén Mág no município de Mato Castelhano (RS), localizado a 290 km de Porto Alegre. A visita foi designada em procedimento conduzido pelo centro e derivado pela juíza Carla Roberta Dantas Cursi, da 3ª Vara Federal de Passo Fundo (RS), que, em júri recentemente realizado, identificou a pertinência de acompanhamento das vítimas relacionadas a crime ocorrido em comunidade indígena.

A visita, conduzida pela coordenadora do Ceavi, juíza Ana Inés Algorta Latorre, contou também com as servidoras Andréa Rigo de Oliveira, Luisanna Semeraro e Sibele Wolff Garcez e o servidor Paulo Fernando Alves, tendo sido articulada em conjunto com a coordenadora regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em Passo Fundo, Maria Inês Freitas, e a psicóloga da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), Daniela Nunes.

No deslocamento da equipe até a comunidade indígena também foi possível fomentar a atuação integrada entre a rede de saúde e assistência social municipal/Conselho Tutelar e os serviços federais de atendimento aos indígenas.

Ceavi

Instalado junto ao Centro de Justiça Restaurativa (Cejure), o Ceavi compõe a política do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) para o apoio e atenção a vítimas, estabelecida pela Resolução TRF4 nº 281/2023, e pressupõe a atuação multidisciplinar para o atendimento integral das necessidades das vítimas identificadas no âmbito da Justiça Federal na 4ª Região, e assim a compreensão dos fenômenos sociais, jurídicos e institucionais relacionados ao crime e suas vítimas.

A instituição da política de atenção às vítimas pelo TRF4 se deu em cumprimento à Portaria n. 253/2018 do Conselho Nacional de Justiça. Os Ceavis, instalados nas três Seções Judiciárias, estão em fase de estruturação, identificação das potenciais frentes de atuação na Justiça Federal, construção de rede de apoio e possibilidades de atendimento, ao mesmo tempo em que recebem demandas para atenção a vítimas de crimes objeto de processo criminal.

Nucom/JFRS (secos@jfrs.jus.br)

Ceavi tem atuação multidisciplinar
Ceavi tem atuação multidisciplinar (Ceavi)

O conselho de sentença, formado por três mulheres e quatro homens, condenou dois homens pelos crimes de tentativa de homicídio e corrupção de menores a pena de reclusão de nove anos e seis meses e 14 anos. A sessão, que durou dois dias (4 e 5/12) foi presidida pelo juiz Davi Kassick Ferreira, da 1ª Vara Federal de Rio Grande (RS), no auditório do prédio-sede da instituição.

Acusação

O crime ocorreu no dia 18 de julho de 2023. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), três homens e um adolescente, após perceberem a presença da vítima dentro de um carro estacionado na rua Um, saíram da rua Cacique/nove e efetuaram disparos de arma de fogo contra o policial federal. O agente tentou fugir, mas o carro derrapou, batendo na calçada.

De acordo com o autor, os denunciados continuaram atirando e depois correram para um matagal. O policial federal conseguiu ligar a viatura e sair em direção à rodovia, momento em que ouviu mais disparos. A perícia apontou que foram efetuados 35 tiros contra a vítima, 25 no carro e 10 nos muros próximos.

Tribunal do Júri

O julgamento iniciou, na terça-feira, às 8h, quando foram ouvidos os depoimentos de quatro testemunhas indicadas pelo MPF, e quatro, pela defesa. Na sequência, os réus foram interrogados.

A sessão foi encerrada neste dia e iniciada novamente na quarta-feira com os debates orais entre acusação e defesa. Os jurados responderam aos quesitos e o juiz proferiu a sentença.

O conselho de sentença entendeu que ficaram comprovados a materialidade, a autoria e o dolo quanto aos delitos praticados pelos dois homens. O magistrado fixou a pena de reclusão em nove anos e seis meses para um dos réus e 14 anos para o outro.

Nucom/JFRS (secos@jfrs.jus.br)

Sessão aconteceu no auditório e durou dois dias
Sessão aconteceu no auditório e durou dois dias (Marcelo Guerreiro/JF Rio Grande)

Foi realizada nesta quarta-feira (4/12) a Pós-Jornada de Soluções Autocompositivas, que trouxe reflexões sobre o papel do Judiciário na construção de relações mais humanizadas e no enfrentamento de desafios como o superendividamento, em um ano marcado pelas enchentes no Rio Grande do Sul. O evento integrou as atividades da “XI Jornada de Soluções Autocompositivas – Unindo Forças” e foi promovido em conjunto por tribunais com sede no RS, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), o Tribunal de Justiça do RS (TJRS) e o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT4). A Pós-Jornada aconteceu no auditório do Espaço Multiuso do TJRS, em Porto Alegre.

No evento, que reuniu representantes de diferentes tribunais e instituições, os discursos enfatizaram a importância da união de forças em benefício da população. O 1º vice-presidente do TJRS e presidente do NUPEMEC/TJRS, desembargador Ícaro Carvalho de Bem Osório, participou da abertura, ressaltando o crescimento de processos judiciais e a criatividade do povo gaúcho na diversidade de demandas, apontando os métodos autocompositivos como essenciais na melhoria da administração da justiça e no alívio do sofrimento das partes envolvidas em conflitos.

O desembargador destacou também que a recente tragédia climática serviu para aproximar instituições e fomentar a colaboração interinstitucional, fortalecendo a missão comum de garantir a prestação jurisdicional. “Eu sempre ouvia da desembargadora Vanderlei sobre a necessidade de engajamento da magistratura nos métodos autocompositivos. Agora, na prática, vejo pessoas dedicadas e entusiasmadas com essa causa. Isso não apenas beneficia as pessoas, mas também contribui para uma administração mais eficiente do Poder Judiciário”, ele afirmou.

A desembargadora Vanderlei Teresinha Tremeia Kubiak, coordenadora do NUPEMEC/TJRS, abriu os trabalhos saudando a todos. Na sequência, ela fez uma breve retrospectiva dos eventos já realizados desde 2012 e temas debatidos. Por fim, falou sobre a importância de discutir os avanços na renegociação de dívidas e o aprimoramento de práticas que promovam a dignidade financeira dos cidadãos, principalmente no contexto de recuperação econômica e social pós-enchentes.

A magistrada frisou que a atualização do Código de Defesa do Consumidor fortaleceu iniciativas de renegociação de dívidas, garantindo mais apoio às pessoas em situação de superendividamento e prevendo medidas contra práticas abusivas.

O primeiro painel do evento do tema “Superendividamento: A Lei do Crédito Responsável”, apresentado pelo professor e advogado Bruno Miragem. Ele abordou a relevância de soluções inovadoras para a prevenção de conflitos, especialmente em um contexto de crescente superendividamento. Ele destacou ainda que a compreensão profunda dos problemas enfrentados pela sociedade contemporânea é essencial para desenvolver abordagens eficazes e distintas daquelas tradicionalmente adotadas.

“É fundamental que entendamos a diversidade e a complexidade dos problemas sociais e econômicos que surgem nas interações cotidianas. O superendividamento, por exemplo, é um tema que exige uma compreensão precisa para que possamos efetivamente atuar na prevenção e solução desses conflitos”, afirmou Miragem.

O desembargador Leonardo Bessa, do TJ do Distrito Federal, participou do evento de forma virtual e agradeceu aos organizadores pela oportunidade. “É uma honra integrar essa discussão tão relevante. Parabenizo os idealizadores do encontro”, disse o magistrado.

Já a desembargadora Ivani Bramante, do TRT da 2ª Região, pontuou os desafios no acesso à justiça e a relevância da atuação conjunta entre instituições para abordar conflitos financeiros de forma eficaz. A magistrada também ressaltou o papel do Judiciário em acolher e fortalecer a cidadania, especialmente no contexto do superendividamento, e abordou a conexão com a área trabalhista.

No encerramento do painel, os participantes tiveram a oportunidade de compartilhar suas dúvidas e reflexões acerca das discussões realizadas ao longo da manhã.

Painéis da tarde

Já na tarde da quarta-feira, ocorreram três painéis sobre o tema do superendividamento. O primeiro painel, intitulado “O CNJ enquanto gestor da Política Pública do Tratamento do Superendividamento”, foi apresentado, de forma online, pelo ministro do STJ Marco Aurélio Gastaldi Buzzi e pela professora Cláudia Lima Marques, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A coordenação de mesa foi do desembargador do TJRS, Clóvis Moacyr Mattana Ramos.

Em sua fala, o ministro destacou que o superendividamento tornou-se um problema social e, como tal, deve ser tratado. “Precisamos lançar um olhar objetivo sobre o superendividamento e procurar compreender suas origens”, ele disse. O ministro ressaltou a importância da fase conciliatória e dos métodos de solução consensual de conflitos, que têm sido amplamente utilizados para auxiliar a Justiça. “É mais uma maneira que o Judiciário tem de atuar em busca da paz social”, ele afirmou.

A professora Cláudia Lima Marques destacou a política que orienta os objetivos do Código de Defesa do Consumidor, com ênfase no artigo 4º, que trata da Política Nacional de Relações de Consumo. “O superendividamento está diretamente ligado à dignidade da pessoa humana, à saúde e segurança, à proteção dos interesses econômicos e à melhoria da qualidade de vida, além da transparência e harmonia nas relações de consumo”, ela apontou.

O segundo painel da tarde foi “Superendividamento: Fase Consensual – Pré-Judicialização”, apresentado pelos desembargadores do TJRS, Roberto Ludwig e Ricardo Pippi Schmidt, com a moderação da juíza auxiliar do NUPEMEC/TJRS, Josiane Caleffi Estivalet.

Segundo o desembargador Ludwig o direito fundamental à liberdade de negociar é um direito constitucional sagrado e expresso. “A ordem econômica nacional é regida pelo princípio da livre iniciativa. Bancos e outras instituições financeiras oferecem crédito e possuem respaldo constitucional para isso. Mas como conciliamos a atuação dessas instituições com a imposição de participar de uma conciliação? Não podemos esquecer que a justificativa para limitar essa liberdade deve ser fundamentada na garantia de uma existência digna, o que é sustentado pelo princípio constitucional do mínimo existencial”, observou o magistrado.

Para encerrar o painel, o desembargador Schmidt contextualizou o tema do superendividamento e o sistema de justiça. Ele fez uma reflexão sobre a necessidade de se compreender o objetivo da Lei nº 14.181/2021, que criou mais do que um procedimento especial, mas sim um microssistema para prevenção e tratamento do fenômeno do superendividamento com práticas distintas do procedimento comum.

A Pós-Jornada foi concluída com o painel “Superendividamento: Fase judicial”. O debate teve a moderação da juíza de Direito Clarissa Costa de Lima, membro do Grupo de Trabalho para aperfeiçoar os fluxos e procedimentos administrativos de tratamento do superendividamento pelo CNJ, e como palestrantes a desembargadora Rosana Garbin, com atuação na 17ª Câmara Cível, e o defensor público do Estado Felipe Kirchner, dirigente do Núcleo de Defesa do Consumidor.

A desembargadora Rosana falou sobre os casos concretos de pessoas endividadas que batem à porta do Judiciário. Ela mostrou a situação de consumidores que comprometem mais da metade dos salários com créditos consignados. Para a magistrada, é preciso garantir a efetividade da lei, dando ênfase à prevenção ao superendividamento, ao crédito responsável e à educação financeira do consumidor. “O Judiciário tem um papel importante de criação de uma jurisprudência que sirva de guia e não de obstáculo para os direitos do consumidor”, ela afirmou.

O defensor Kirchner teceu críticas às concessões irresponsáveis de crédito e da falta de cooperação dos credores em resolver a problemática. “Estamos em uma verdadeira epidemia do superendividamento. Não basta que credor vá a audiência, é necessário cooperação. Todo mundo precisa entender que estamos tentando salvar famílias de ruínas”, ele disse. “Ocorre de as pessoas contratarem empréstimos para suprir uma necessidade no contexto familiar, comprometendo a renda por algo que não é dela. Muitas vezes se endividam por terceiros”, afirmou o defensor, concluindo que o problema não é só econômico, mas também social.

Com informações da Assessoria de Comunicação Social do TJRS

O evento foi promovido em conjunto pelo TRF4, TJRS e TRT4
O evento foi promovido em conjunto pelo TRF4, TJRS e TRT4 (Foto: Eduardo Nichele/DICOM-TJRS)

A Pós-Jornada de Soluções Autocompositivas abordou temas como união de instituições em benefício da população, construção de relações mais humanizadas e enfrentamento de desafios como o superendividamento
A Pós-Jornada de Soluções Autocompositivas abordou temas como união de instituições em benefício da população, construção de relações mais humanizadas e enfrentamento de desafios como o superendividamento (Foto: Eduardo Nichele/DICOM-TJRS)

A ouvidora da Mulher do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), desembargadora federal Ana Cristina Ferro Blasi, participou, na tarde de hoje (5/12), da XV Assembleia e Seminário do Instituto Latinoamericano del Ombudsman-Defensorias Del Pueblo (ILO). O evento tem como temática central “Defensorias Del Pueblo e Ouvidorias Públicas: Conflitualidade, Desafios e Contribuições à Democacracia” e a desembargadora Blasi foi umas das palestrantes do painel “Defensorias del Pueblo e Ouvidorias Públicas na luta contra o abuso moral, o abuso sexual e outras formas de violência”.

Segundo Blasi, a participação no seminário foi marcante, pois a Ouvidoria da Mulher do TRF4 foi a única representante de ouvidorias do Judiciário brasileiro no evento, e, além disso, a oportunidade proporcionou uma troca positiva de experiências e um fortalecimento das relações do tribunal com outras instituições públicas.

“Pudemos compartilhar as nossas experiências e aprendizados que obtivemos nesse um ano de instalação da Ouvidoria da Mulher do tribunal, especialmente as boas práticas desenvolvidas, com o público do evento, que é composto de autoridades da América Latina e Caribe, como defensores del pueblo e ouvidores de diversos países”, avaliou Blasi.

A desembargadora ainda acrescentou que “o trabalho que a Ouvidoria do TRF4 tem feito em prol de meninas e mulheres e para combater a violência contra as mulheres foi bastante reconhecido e parabenizado no evento”.

Além de Ana Blasi, também participaram do painel: Cristina de Albuquerque Maranhão, ouvidora de Itaipu Binacional; Suzanne Camelia-Römer, ex-primeira-ministra das Antilhas Holandesas (Curaçao); e Ana Paula Zanatta, assessora da Diretoria Jurídica de Itaipu Binacional.

A XV Assembleia e Seminário do Instituto Latinoamericano del Ombudsman-Defensorias Del Pueblo acontece esta semana, entre os dias 4 e 6 de dezembro, na cidade de Foz do Iguaçu (PR). O evento é promovido em parceria com a Itaipu Binacional.

O Instituto Latinoamericano del Ombudsman-Defensorias Del Pueblo (ILO) é uma organização internacional que atua na promoção dos direitos humanos, na defesa dos interesses da população e no fortalecimento de processos democráticos na América Latina e no Caribe.

ACS/TRF4 (acs@trf4.jus.br)

A ouvidora da Mulher do TRF4, desembargadora Ana Blasi (1ª da dir. p/ esq.), participou do painel na tarde de hoje (5/12)
A ouvidora da Mulher do TRF4, desembargadora Ana Blasi (1ª da dir. p/ esq.), participou do painel na tarde de hoje (5/12) ()

Ana Blasi compartilhou experiências e boas práticas no trabalho de combate à violência contra mulheres
Ana Blasi compartilhou experiências e boas práticas no trabalho de combate à violência contra mulheres ()

A desembargadora Blasi junto com as mulheres que participaram da conferência
A desembargadora Blasi junto com as mulheres que participaram da conferência ()